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ABRAFESTA em matéria do Jornal Estadão diz que "Segmento voltado a casamento não sofre com a crise"

Segmento voltado a casamento não sofre com a crise
CRIS OLIVETTE
06 Setembro 2015 | 07:27
Demanda por serviços que envolvem as várias etapas da cerimônia continua crescendo, mas número de convidados está caindo
Tatiana Gil Benvenuto, proprietária da Etiquette - Boutique Du Mariage (FOTO: MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO)
Tatiana Gil Benvenuto, proprietária da Etiquette – Boutique Du Mariage (FOTO: MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO)

No Brasil, os casamentos já ultrapassaram a marca de um milhão por ano, e são responsáveis por boa parte do crescimento do mercado de eventos que, segundo a Associação Brasileira de Eventos Sociais (Abrafesta), deverá se expandir 6% neste ano.
Segundo empreendedores que atuam no segmento, a crise não tem levado os casais de noivos a desistirem de comemorar o enlace em grande estilo.
A dona da Etiquette – Boutique Du Mariage, Tatiana Gil Benvenuto, conta que entre janeiro e agosto deste ano o negócio já cresceu 15% em relação ao mesmo período do ano passado.
“As pessoas não estão deixando de fazer cerimônia e festa. Quem vai casar se programa com antecedência e quer uma coisa especial”, afirma. Ela conta que o negócio criado em 2006 ocupa, desde novembro, novo espaço. “Foi praticamente uma reabertura, porque nos mudamos para sede própria, com 250m², o que nos permitiu ampliar a gama de produtos.”
Tatiana diz que a marca oferece mais de 1,3 mil opções de acessórios para noivas e madrinhas. “Uma estratégia que tem dado muito certo é manter parcerias com assessoras de casamento, salões que fazem o Dia da Noiva e ateliês de vestidos de noiva e de madrinhas. Prestando bons serviços e trabalhando juntos, é mais difícil sermos atingidos pela crise”, avalia.
Formada em design de interiores, a dona do Espaço Jardim Leopoldina, Keiko Kamimura, diz que desistiu de trabalhar com obras por darem muita dor de cabeça, e optou pela área de eventos. “Casamento é uma energia mais gostosa, um momento de realização das pessoas. Gosto de contribuir com a realização de cada sonho.”


Keiko Kamimura, dona do espaço Jardim Leopoldina (Foto: NILTON FUKUDA/ESTADÃO)
Keiko Kamimura, dona do espaço Jardim Leopoldina (Foto: NILTON FUKUDA/ESTADÃO)

A casa de festas foi criada em 2010 e, segundo a proprietária, mantém média de crescimento de 15% ao ano. “Mesmo com a crise, a procura continua crescente, o que diminuiu foi o número de convidados, o que para nós não fez diferença, já que o valor da locação do espaço não é medido pelo número de convidados”, diz.
A dona da Camila Relva – Assessoria de Eventos afirma que a demanda aumenta ano a ano. “Em 2013 realizei 20 casamentos, no ano seguinte, acho que por conta da Copa do Mundo e das eleições, a demanda não aumentou, mas neste ano já realizei 30 e até agora já fechei oito para o ano que vem.”
Segundo ela, a crise é assunto recorrente entre os clientes e acaba virando motivo para pechincha. “Todos falam no assunto. Digo que aceito ouvir uma contraproposta para que todos fiquem felizes.”

Camila Relva, proprietária da 'Camila Relva - Assessoria de Eventos' - (FOTO DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO)
Camila Relva, proprietária da ‘Camila Relva – Assessoria de Eventos’ – (FOTO DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO)

Diferente. Com oito anos de experiência no mercado de casamentos em Las Vegas (Estados Unidos), Jaime Mario Jimenez fundou, em 2013, o Cerimonial Las Vegas. “Comecei como motorista de limusine e fui aprendendo tudo que está por trás desse prazeroso negócio, até me tornar ministro de cerimônia em Nevada, no final de 2012. Em seguida, criei o negócio.”
Com escritórios em Belo Horizonte e Las Vegas, a empresa se dedica a levar casais brasileiros para uma cerimônia de casamento na cidade americana. Segundo ele, ao contrário de empresas de turismo que tentam prestar serviço similar, o Cerimonial Las Vegas é especializado em cerimônias de casamento. “Tenho acordo com diversas capelas e o ritual é conduzido por ministros de cerimônia brasileiros, que seguem os nossos costumes.”
Ele diz que são vários os motivos que levam casais a se casarem em outro país. “Alguns moram juntos, mas sonham com a cerimônia. Outros são divorciados e procuram algo prático e intimista. Também há os que não querem uma grande festa mas simplesmente casar, ter a lua de mel e conhecer Las Vegas. Por motivos diversos, alguns preferem casar escondidos, criando um clima de Romeu e Julieta.”
Jimenez diz que somente neste mês tem 43 cerimônias contratadas. “Em 2014, fizemos 402 casamentos. Para o próximo ano, a expectativa é crescer 100%.”
Empreendedora se queixa do aumento dos preços de matérias primas
A publicitária Giuliana Pimenta e seu marido, Afonso, são donos da Giuliana Pimenta Bem Casados e Doces Finos. Ela diz que o negócio continua crescendo, mas a crise está atrapalhando com o aumento de matérias primas. “Acho que no próximo ano também poderemos fechar no positivo, mas com lucro menor, porque não dá para repassar todo o aumento para o cliente.”

Giuliana e Afonso Pimenta, donos do Giuliana Pimenta Bem Casados e Doces Finos (Foto: Divulgação)
Giuliana e Afonso Pimenta, donos do Giuliana Pimenta Bem Casados e Doces Finos (Foto: Divulgação)

De acordo com Juliana, de janeiro a agosto deste ano o movimento cresceu 11% em relação a igual período de 2014. A empresa tem dez funcionários, atende pedidos para festa infantil, corporativa, debutante, mas 90% da demanda é de casamento.
A empresária afirma já ter cerca de 20 casamentos fechados para 2016. “Achei curioso, porque normalmente começo a fechar no segundo semestre os casamentos para o ano seguinte, mas agora em 2015 comecei no primeiro semestre. Alguns pagaram à vista. Acho que as pessoas não vão deixar de casar. O que pode acontecer é que o número de convidados seja menor.”
Empreendedora. Giuliana sempre teve vontade de empreender. Em 2008, resolveu abandonar a carreira para assumir o negócio de produção de bem casados que, até então, era tocado pelo seu marido e a mãe dele, Suzana.
“A família dele sempre trabalhou com doces. Em 2006, criou o Suzana Pimenta. Mas dois anos depois minha sogra foi morar em Curitiba e eu coloquei meu desejo em prática. Foi quando introduzimos a produção de doces finos, montamos o ateliê e o site. Mas só em 2012 mudamos para o nome atual.”
A empresária afirma que, apesar da questão do preço das matérias primas, até o momento não sentiu os efeitos negativos da crise.
“Estou vendendo mais do que no ano passado, reparei que no começo do ano tive muito mais pagamentos à vista do que parcelado, que era muito mais comum. Acho que as pessoas estão querendo quitar para tirar a dívida da frente.”
‘Empresas adaptam suas ofertas à realidade’

O presidente da Abrafesta, Ricardo Dias (Foto: Divulgação)
O presidente da Abrafesta, Ricardo Dias (Foto: Divulgação)

Empresas do mercado de eventos contam com a Associação Brasileira de Eventos Sociais (Abrafesta), responsável por repassar aos associados dados atualizados sobre o segmento, bem como normatizações e orientação sobre qualidade de procedimentos. A seguir, trechos de entrevista com o presidente da entidade, Ricardo Dias.
Como o setor reage à crise? Mesmo com este cenário desafiador para a economia, o mercado de eventos no Brasil registra demanda crescente em todas as regiões do País. Isso ocorre, principalmente, em função da maturidade do setor e pelo fato de que as empresas estão atentas e adequando as suas ofertas a esta nova realidade de mercado.
Qual é a projeção de crescimento para este ano? A projeção de crescimento gira em torno de 6%, segundo resultado de pesquisas realizadas pela Abrafesta e pelo instituto Data Popular. Isso é emblemático frente à perspectiva de retração do PIB em 2015.
Este mercado é imune à crise? Existe um divisor de águas entre quem é bom, competente, criativo e é eficiente na entrega dos eventos, e quem não é. Ocorre uma seleção natural. Quem é bom se mantém.
O que a associação recomenda para atrair e reter os clientes? A adaptação à realidade atual é o segredo para a manutenção do patamar de crescimento. Mesmo diante do cenário adverso da economia, os clientes encontram o que precisam para atender as suas necessidades, porque o segmento está muito bem estruturado, com empresas maduras e organizadas, que transmitem seriedade e resultado prático.
E a mão de obra? Os profissionais estão cada vez mais capacitados para entender as necessidades do cliente, avaliar qual a melhor forma de atendê-las e transformá-las em realidade. Nossa missão é garantir que os associados adotem as melhores práticas, incentivem a capacitação permanente da equipe e procurem superar as expectativas dos clientes a cada a dia.

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