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Casamento aberto, poliamor, cada um em sua casa: descubra as muitas relações possíveis - você está de acordo?


Os amores são muitos e podem seguir suas próprias receitas
  
Paixão acontece entre duas pessoas e casamento é dividir a mesma casa com alguém e nunca mais se relacionar com outros, certo? Depende. Apesar de muitas relações seguirem esse formato, nem todas as pessoas querem viver assim. Acontece que tradicional não é sinônimo de natural. Ficar com uma pessoa só, por exemplo, era algo muito estranho no passado. Mas, quando surgiu a ideia de propriedade privada, o homem passou a querer saber quem era o filho dele para deixar herança.
“O jeito de garantir um filho próprio era prender a mulher. Por isso, na prática, a monogamia sempre funcionou para a mulher, não para o homem. Isso mudou com o anticoncepcional”, defende a psicanalista Regina Navarro Lins. Ela conta que o amor romântico, que vivemos hoje, foi criado no século 12 e ressurgiu com força no século 20. Mas os amores são muitos e podem seguir suas próprias receitas. A seguir, conheça mulheres que optaram por relacionamentos não tradicionais e não se arrependeram.
Casamento livreM.M., 26, jornalista
“Fui casada por dois anos e tive um relacionamento aberto. No primeiro mês de namoro, ficamos com uma ex-namorada minha durante uma festa. No começo, fiquei confusa, mas fui me adaptando à ideia e percebi que não tinha nada a ver ficar chateada por isso. O que a gente tem que exigir, em qualquer relacionamento, é sinceridade. Assim, ficar com outra pessoa não é traição quando é parte do acordo do casal".
"Segundo nossas regras, um consultava o outro antes de ficar com alguém. Não era algo escondido. Eu sou bi e só ficava com meninas, no começo, porque ele tinha ciúme de me ver com outros caras. Mas questionei isso e passei a ficar com homens também".
"Meus amigos sabem e minha família nunca perguntou, mas eu sempre dou minhas opiniões quando eles falam de relacionamentos. Muita gente acha que é maluquice. Mas não ligo. Eu acho que a gente cresce com a ideia do relacionamento tradicional na cabeça e as pessoas não tiraram um tempo para refletir se isso é para elas".
"O problema é que a gente não está totalmente livre dos outros. Em ambiente de trabalho, o que as pessoas pensam pode fazer diferença na nossa carreira e atualmente estou num lugar conservador. Mas, entre nós, tinha muito mais leveza e menos cobranças. Por outros motivos, nosso casamento acabou há sete meses. Tem duas semanas que estou namorando. É um formato tradicional, por escolha dele.  Está me agradando como está, por enquanto. Mas me sinto disposta a abrir a relação no futuro”.
Três não é demaisC.M., 21, fotógrafa
“A ideia do relacionamento a três partiu do nosso namorado. Antes, ele ficava comigo e com outra garota separadamente, mas não era namoro. A gente também ficava com outras pessoas. Depois que eu e ela nos conhecemos, começamos a nos aproximar e acabamos nos apaixonando".
"Por causa do trabalho, uni o útil ao agradável e fui morar com a menina por quem estava apaixonada. Quando ele sugeriu um relacionamento a três, a gente já estava querendo, mas ficávamos naquela de não falar, por achar que ele não fosse aceitar. No começo foi bem difícil, mas com o tempo fomos trabalhando tudo".
"Percebemos que não há ciúmes, mas inveja quando um tem mais atenção com o outro. É uma questão de querer mais atenção, mesmo. Ele não mora com a gente, mas estamos sempre juntos, em nossa casa ou na dele. Levamos isso naturalmente. É bom porque nunca estamos sozinhos, sempre temos ajuda, a gente se diverte mais".
"Mais para frente, a gente tem a ideia de montar um blog, para compartilhar um pouco sobre a nossa experiência. Nem todos da família sabem. Mas aqueles que sabem acham o máximo. Sempre falam que somos muito corajosos. Até a mãe dele nos apoia".
"Atualmente, estamos juntando dinheiro para comprar uma casa para os três. Dividimos tudo, temos um carro que os três ajudam pagar. Ele tem uma filha de 3 anos, que convive bastante com a gente. No futuro, pensamos em ter filhos também”. 
Sempre juntosR.Q., 23 anos, estudante 
“Nos juntamos quando eu engravidei, há quatro anos, e nunca tivemos um relacionamento convencional desde o início. Mas a relação só foi mesmo aberta após o casamento. Ela não é aberta para os dois pegarem todo mundo, mas a gente pode, juntos, ficar com outras pessoas. Estamos há seis meses com alguém fixo, que conhecemos pelo 3nder, um aplicativo para casais. É uma mulher."
"Os encontros com ela têm objetivo sexual, mas saímos para jantar, conversamos. A primeira vez que ficamos com outra pessoa foi muito natural. Em uma festa, acabamos fazendo um ménage com uma amiga. Depois disso, conversamos. Já brigamos muito no início e às vezes rola ciúmes, mas hoje é bem mais tranquilo."
"Eu e meu marido temos uma abertura maior para falar sobre as coisas, não negamos que numa relação possa haver desejo por outras pessoas. Na verdade, acho que muitos que dizem ter uma relação tradicional não têm. Só se escondem por medo. A sinceridade é um dos ponto mais positivos da nossa relação."
Tudo entre nós é conversado, desde que nosso relacionamento começou, quando eu tinha 16 anos e meu marido 17. Hoje só podemos ficar com mulheres, porque ele é hétero e eu sou bi, consigo transitar. Se ele topasse, gostaria de tentar com outro homem."
Nossos amigos e pais sabem, entendem, e só se preocupam com doenças, não fazem um julgamento moral. Mas todas as nossas relações são feitas com preservativo. A gente sabe que existe todo um discurso de preservar a família por trás das perguntas que ouvimos."
"Bem, eu tenho uma filha de 4 anos e isso nunca se estendeu até ela. É outra instância da vida. Quando ela estiver mais velha, pretendo contar, quando as coisas puderem ser conversadas. Quero ensinar que o importante é ser feliz, não seguir o que os outros esperam de você”. 
Cada um em seu cantoC.L., 50 anos, costureira
“Conheci meu marido no trabalho. Ele ficava me olhando e eu sempre falava ‘não gostei desse homem, Deus é mais’. Quando começamos a namorar, não levei muito a sério porque ainda gostava do outro. Sempre namorei muito, já namorei o alfabeto inteiro! Até que minha amiga me falou ‘olha, tem pouco homem que presta nesse mundo, segura esse’. Aí fui ficando, ficando, e já estamos juntos há 18 anos. De casados, temos oito."
A mãe dele é católica e ficava falando, casamos para fazer a vontade dela, mas cada um ficou em sua casa. Ele sempre me chamou para morar junto, mas eu nunca quis, nunca pensei em morar com ninguém. "
"Oito anos atrás, minha mãe teve um derrame e ficou totalmente dependente de mim. Ele ficava falando que a gente tinha que se juntar, mas eu queria estar com minha mãe na casa dela. Então, continuei morando lá com minha irmã. Dormia na casa dele de sexta até domingo e segunda de manhã, no máximo, eu voltava pra casa."
"Às vezes, a gente se encontrava durante a semana, ele passava no play do prédio para me dar um beijo, mas dormir juntos só no fim de semana mesmo. Cuidei de minha mãe durante cinco anos até ela falecer."
"Em janeiro, fui morar com ele em um apartamento maior. Agora é minha casa também. Antes, quando era só a casa dele, não me comprometia com nada. Não lavava louça, não limpava a casa, não comprava nem comida, sempre pensava ‘não vou sustentar esse homem’. Mas agora fazemos tudo juntos."
"Estamos bem, dormimos juntinhos todos os dias, fazemos café da manhã, arrumamos a casa. Ele é companheiro, e todos da minha família gostam dele. Chamam a gente de ‘Casal 20’. O casamento só serve quando o homem presta. Mas, se minha mãe ainda estivesse viva, eu estaria com ela”.

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