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Casamentos crescem pela primeira vez neste século




Em 2015 houve mais 915 casamentos do que no ano anterior, segundo o Instituto Nacional de Estatística. Apesar de aumento do número de bebés, saldo natural manteve-se negativo. 



O número de casamentos aumentou em 2015, pela primeira vez desde há muitos anos em Portugal. O Instituto Nacional de Estatística (INE) contou 32.393 casamentos no ano passado, contra os 31.478 do ano anterior. Apesar de não se tratar de um aumento muito expressivo (mais 915 casamentos), este dado contraria a tendência decrescente do número de casamentos das últimas décadas. 



“É um aumento muito pouco significativo e precisamos de mais tempo para perceber se há aqui alguma inversão de tendência, mas seria interessante estudar se estamos aqui a assistir a um retorno de valores mais conservadores entre as gerações mais novas”, comenta a socióloga Sofia Aboim. A investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa lembra que “em sociedades como a dos Estados Unidos e do Reino Unido há cada vez mais paradoxos entre segmentos mais vanguardistas e outros que se mantêm num certo conservadorismo”. “Mas pode tratar-se de uma mera flutuação que não prenuncia qualquer mudança de comportamento em relação ao casamento”, ressalva.


Mais do que um eventual retorno a valores mais conservadores, a socióloga Anália Cardoso Torres admite que este ligeiro aumento possa ser a expressão prática de que “a crise acabou e entrámos numa nova fase de um pouco mais de esperança”. “São abusivas quaisquer conclusões", até porque “as tendências demográficas nunca se podem ver de um ano para o outro”, começa também por ressalvar a investigadora. Os números do INE, de resto, não explicitam se o aumento decorre de primeiros casamentos ou de recasamentos. Apesar disso, “e porque também houve um aumento no número de nascimentos", Anália admite que possa haver aqui "um efeito associado a uma certa esperança de que as coisas melhorem na realidade portuguesa”.


A proporção de casamentos civis manteve-se relativamente ao ano anterior (63,6%) e o mesmo se pode dizer da proporção dos casamentos católicos (35,9%). Quanto ao mês em que ocorre o casamento, a tradição também ainda é o que era: Agosto registou um pico, com 5.909 casamentos.

Quanto aos 315 casamentos entre pessoas do mesmo sexo (mais 42 do que em 2014), 223 foram entre homens e 127 entre mulheres, ainda de acordo com o INE.

A rejeição da ideia de que este aumento pode traduzir um eventual retorno a valores mais tradicionais assenta no facto de mais de metade dos 32.393 casamentos do ano passado terem sido precedidos de coabitação. “No chamado ‘modelo moderno’, as pessoas vivem juntas, têm filhos e depois é que casam. Não vejo nisto nenhum regresso a valores tradicionais, além de que as pessoas hoje casam-se sabendo que se podem divorciar a seguir, ou seja, há toda uma nova configuração das relações de conjugalidade em que as pessoas se sentem mais livres e menos presas a uma dimensão institucional.”

Efectivamente, este ligeiro aumento dos casamentos não bastou para contrariar outra tendência dos últimos anos e que se traduz num aumento dos bebés nascidos “fora do casamento”: fixou-se nos 50,7% em 2015 (contra os 49,3% de 2014 e os 41,3% de 2010).



Mais três mil bebés em 2015

O ano passado ficará ainda nas estatísticas como tendo sido aquele em que se voltou a assistir a um ligeiro aumento do número de bebés. Houve 85.500 nados-vivos, ou seja, mais 3133 do que no ano anterior.
Apesar de 2015 ter sido o primeiro ano a registar um aumento do número de nascimentos desde 2010, o saldo natural mantém-se negativo pelo sétimo ano consecutivo. Morreram 108.511 pessoas, ou seja, mais 23.011 do que as que nasceram.
E não parece que esteja perto de ser estancado o progressivo envelhecimento da população portuguesa, até porque, conforma aponta a demógrafa Maria João Valente Rosa, o aumento do número de bebés registado no ano passado ocorreu “porque as pessoas que queriam ter filhos vinham adiando o projecto, sobretudo por causa da crise que se começou a sentir em 2008, mas deixaram de poder continuar a adiar porque estavam perto de atingir o limite biológico”.
“Em Portugal, a percentagem de pessoas que pura e simplesmente não tencionam ter filhos é relativamente baixa — apenas 8% —, mas as pessoas vinham adiando o projecto de ter filhos por causa da crise que se vem sentindo desde há vários anos. O que aconteceu em 2015 foi que mais pessoas, sobretudo as mulheres, chegaram àquele limite biológico em que não podiam continuar a adiar.”
Os números relativamente à idade das mães ao nascimento do filho parecem confirmar a leitura da coordenadora do Pordata, o portal estatístico da Fundação Francisco Manuel dos Santos. A proporção de nados-vivos de mães com 35 e mais anos de idade aumentou 7,7 pontos percentuais, enquanto que a proporção de bebés nascidos de mães com idades entre os 20 e os 34 anos de idade desceu 6,4 pontos percentuais.

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